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Aqui, em Sófia, o Parque da Liberdade continua tomado por búlgaros. E esses búlgaros são uns urubus. Eu, altamente versada em artes como sou, sei que eles são umas pedras. É fato que, tem hora, as pedras se movem. Mas movem-se como que se espreguiçando, depois voltam ao sono profundo. É um embuste, um poema, uma sacanagenzinha. A gente fica de olho, nós, espertos entendedores das artes universais e do que de fato importa na cultura pop, nos alegramos e logo, decepcionados, voltamos à mórbida vigília.

Aqui, em Sófia, só há vigília. Porque até aqueles que não sabem de absolutamente nada, se acham pertencentes a algum relevante grupo ou movimento. Muito disso ocorre por uma fingida e real verdade, que é transmitida pelo boca a boca, de que aqui mora a vanguarda da arte, todos aqui são entendedores do regional e da cor do mundo. Tem quem é da poesia popular, quem seja da poesia urbana, quem é da poesia acadêmica e a turma da poesia da fornicação. Todos sérios em seus exércitos, grilhões de liberdade.

Aqui, em Sófia, a presidenta é búlgara. Não parece que os búlgaros estejam, assim, entusiasmados com a eleição da primeira presidenta, tirando uns velhos medalhões da cultura velha que, seqüestrados da arca, pronunciaram-se publicamente durante a campanha política. Assisti na internet todo o discurso da presidenta, eleita ontem. Um discurso humilde, claro e objetivo, para uma presidenta. Apesar de pequenos trechos de má leitura, especialmente no desfecho. Mas não é isso o que interessa, mesmo. Fiquei de olho numa mocinha loira logo ao fundo, à direita da presidenta. A mocinha loira estava lá, relativamente compenetrada, por toda a quase meia hora de discurso. Muito séria, olhava pra baixo, parecia tímida ou desinteressada pela maioria dos pontos reiterados à população como, por exemplo, a incrível erradicação da miséria no país. A mocinha loira vestia uma camisa vermelha com a foto da presidenta estampada, uma foto da época em que a presidenta fazia parte de um grupo de socialistas que enfrentava a ditadura. É uma foto interessante, a presidenta jovem, sisuda, óculos de aro grosso, muito parecida com a de tantos intelectuais que foram pegos pela repressão ultraconservadora. A foto estampada na camisa, em preto e branco, com aquele tipo de efeito queimado, borrado, meio pop art, que grava à imagem um aspecto mítico e popular. Isso é bem curioso e búlgaro, talvez algo bastante comum aqui no leste europeu. A presidenta tem sim um histórico de militância e dor muito real e simbólico, assim como tantos outros dessa época, de épocas remotas, de hoje, mas só. Daí a ser mítica e popular, falta a vida vivida, a narrativa que circunda e incorpora esse acontecimento. Ou talvez não falte nada. Pode ser que haja algo nisso tudo que sobre, que exceda. A mocinha loira (não sei se ela é uma personagem conhecida aqui na Bulgária, deve ser, me perdoem pelo miolo duro) expressou uma reação mais aguda quando a presidenta citou a tal passagem pela prisão da ditadura. Era como se ela esperasse apenas por esse momento, como se ela fatiasse aquele “palavrório” e o capsulasse em menos de um minuto, engolisse a pílula como quem toma um ácido e justificasse esse e tantos outros momentos de militância. Esse vídeo, por várias razões, me entristeceu muito. E há tantas belezas aqui na Bulgária! Vocês, aí, não conhecem nada. E nem adianta ir pro Google Street View, lá não se vê nada. Salve Calvino! Aqui é tão bonito, mas também há tanta vigília. E como há vigília, meu Deus!

Aqui, em Sófia, no Parque da Liberdade ainda há muitos búlgaros. Não os compreendo em quase nada, mas espero de verdade que, ao menos, um dia, eles entendam o que acabo de escrever.

P.S.: Pra quem achou que esta postagem foi muito séria e isso pode prejudicar a minha popularidade, já que, comparada com outros textos meus, não há uma unidade de voz narrativa e, portanto, uma identificação confortável ao leitor que costuma (ou tenta) acessar esta página: quero que você passe mal! Ah! Artur, Bruno e Wellington, vocês são maus! Vocês são presidentas!

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Criaturas que acompanham este famigerado blog!

Estamos organizando para o mês de outubro mais uma flash mob do Urros. Pra quem não sabe, flash mobs são aquelas aglomerações de pessoas organizadas pela internet para realizar um tipo de ação específica e logo dispersar. Como na flash mob de Manuel Bandeira (veja as fotos aqui) vamos ler um texto, que será revelado em breve. Só que, além disso, haverá uma ação a mais, que só diremos àqueles que nos deixarem um comentário com seu contato por email. Fazemos isso para evitar a cambada de seguranças que nos esperaram na flash mob Manuel Bandeira. Na ocasião mudamos para a praça de alimentação antiga pra poder ler o texto “em paz”.

Por isso mesmo, vocês não terão aqui o local nem a data por enquanto, para evitar que a coisa ‘vaze’ antes do tempo. Quem quiser participar, é só deixar um comentário aqui com seu email. Repassem para todos os seus contatos e mobilizem a galera, pois essa flash mob vai ser uma prévia para a FreePorto, que acontece em novembro. Dúvidas, urrem!

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Nota no Jornal do Commercio, 2 de junho de 2009

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Nota publicada no Jornal do Commercio, 1 de junho de 2009

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